"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas." (Bernardo Soares)
publicado por Departamento de Língua Portuguesa | Sexta-feira, 13 Maio , 2011, 15:02

Não sou o que sou por fora, mas aquilo que sou por dentro. Por isso não vou falar-te daquilo que vês, mas daquilo que acho que sei que sou. Isso mesmo. Aquilo que acho que sei. Isso é a primeira coisa que deves saber sobre mim: sou o ponto de interrogação depois da pergunta que te irrita. À primeira vista pareço calada e oca, um balão branco que podes rebentar com uma agulha, se quiseres. Mas também me podes atar ao teu pulso e andarei sempre ao teu lado. Ao início, talvez me confundas com as nuvens. No entanto, com o tempo, vais aprender a distinguir o branco pálido das nuvens do branco colorido do balão.

Do que te vou dizer dizer agora já te deves ter apercebido há muito. Por vezes os balões voam alto demais, perdem de vista o chão e esquecem-se dos fios que os prendem. E podes cortar a linha que me ata ao teu pulso. Mas, em vez de subir, subir, subir até me perderes de vista, vou fazer uma coisa estranha. Vou descer e cair no chão. Apanha-me se quiseres e prende-me novamente ao teu pulso. Só não te surpreendas se, por cada vez que cortares o fio de pesca, o meu branco se vá difundindo, cada vez mais, mas lentamente, com o das nuvens.

 

Andrea 10º C


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