"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas." (Bernardo Soares)
publicado por Departamento de Língua Portuguesa | Segunda-feira, 22 Novembro , 2010, 18:20

O tema foi lançado nas aulas de Português durante o estudo da poesia de Fernando Pessoa ortónimo: uma reflexão sobre a importância da inteligência na construção da felicidade. O resultado foi bastante positivo, como se pode ver pelo texto que se segue.

 

A inteligência, no seu entendimento como característica inerente a todo o ser racional, concede à Humanidade uma elevada capacidade para compreender e, inclusive, modelar o mundo envolvente. É, portanto, indispensável para uma persistente melhoria da qualidade de vida do Homem, perspectiva segundo a qual a inteligência poderá ser entendida como proporcionadora de felicidade. Contudo, o indivíduo detentor de uma razão muito activa é severamente restringido no que diz respeito a ser feliz. Pretende-se com isto dizer que o pensamento abundante interfere destrutivamente com a alegria pessoal.

 

Em primeiro lugar, esta constatação poderá ser entendida atendendo a que a inteligência se traduz numa intensa consciência; uma noção de questões tais como a passagem do tempo, a efemeridade de tudo e a inevitabilidade da morte. O sujeito pensante apercebe-se de que vive num presente e de que existe um futuro indefinido, mas ao qual não pode escapar, que, mais cedo ou mais tarde, porém, sempre significa fim. E analisar a realidade na sua finitude é invariavelmente entristecedor, já que se deixa de desfrutar o momento, com a constante preocupação do final e o aparecimento da saudade. Assim sendo, a título exemplificativo, poder-se-á referir que toda esta consciência conduz à frustração, porque, sendo a vida tão breve, o conhecimento é sempre limitado, impossível na totalidade; por outro lado, a vivência individual adquire uma certa insignificância, face à vastidão (temporal e espacial) do Universo.

 

Também a falta de espontaneidade é consequência da razão excessiva. Revela-se numa incapacidade de sentir de modo exclusivo, devido a uma necessidade de racionalizar toda a emoção. Esta situação está patente, por exemplo, em Fernando Pessoa ortónimo, que, por ser demasiado racional, se debate com uma “dor de pensar”. O sentimento é imediatamente intelectualizado, o que o impede de apreciar os instantes e, consequentemente, condiciona a sua felicidade.

 

Em suma, a inteligência é, frequentemente, e por motivos diversos, inviabilizadora da felicidade. No entanto, talvez uma dosagem da sua utilização permita retirar alguma inacessibilidade à alegria individual.

 

Rafael Amorim Rocha, 12.º B


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