"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas." (Bernardo Soares)
publicado por Departamento de Língua Portuguesa | Sexta-feira, 18 Fevereiro , 2011, 06:47

Os alunos do 8.º ano foram convidados, em aula, a descrever esta imagem. Eis os textos mais inspirados.

 


 

O caminho floreado


Estava eu no meu parque preferido, de magia pura e de uma ilusão infinita, a sentir a espuma do vento na minha cara, e observava a paisagem que se erguia sob os meus olhos: as árvores surgiam com um ar imponente, com as suas folhas tristes, que me tocavam no coração como uma seta sem dó e caíam como um raio tenebroso; o seu tronco trazia-me a melodia de fulgor encantado, tal e qual o das águas cristalinas; ao fundo mirava extasiadamente os arbustos tímidos, que me faziam lembrar um par de ninfas gregas, com a sua imperfeita forma, que me entrava pelos olhos brilhantes e vivos.

Ao fundo, as pessoas erguiam os seus corpos esbeltos de guerreiros valentes e decoravam a vista como luzes quentes cintilantes de Natal, e as folhas alegres rodopiavam como fadas aladas e vivas!

 

Francisco Neves, 8.º A

 

 

O Mundo do Outono!

 

Colocaram-me uma imagem para descrever, mas estou confusa, não sei como posso descrever algo que não conheço, algo que para mim não passa de uma fotografia. Não quero limitar-me a dizer, quero fazer com que vocês se sintam lá.

Fechem os olhos e preparem-se para viajar. Imaginem um céu cinzento, cheio de nuvens zangadas com o mundo, prestes a rebentar; depois pensem nas árvores em volta, umas têm tanto medo do céu e das suas nuvens que até mudam de cor, as folhas amarelas simbolizam o medo, as vermelhas a coragem e as verdes a esperança.Os seus troncos castanhos e fortes estão prontos para combater, todos alinhados, a formar um corredor  para proteger as pessoas e animais que passam! As árvores admiram as pessoas porque enquanto elas têm medo e se convencem a lutar, as crianças passeiam alegremente por ali, porque nós,  humanos, não vemos o Outono como uma ameaça, mas sim como um mundo diferente cheio de cores  e sorrisos, às vezes com tempestade, outras vezes com harmonia!

Mas para além do exército de árvores existe vida, existem mais árvores sábias e felizes, como  em todo o mundo.

No chão estão as pequenas guerreiras que morreram para salvar o impossível e a vontade que tinham de brilhar!

O mundo é assim, cada um tem a sua perspectiva  e forma de viver, por isso é que nele estamos sempre a aprender!

 

Ana Catarina, 8.ºB

 

Dourado

 

Troncos e copas de Outono unem-se à Humanidade, contrastando a sua bela natureza dourada com caminhos de cimento e pedra, monótonos, mas também coloridos e diferentes, pois neles habitam seres usando inventos a rodas e a fogo, que consomem a pureza rica do ar, transformando-a num manto de neblina negra e tóxica.

As copas outonais recolhem-se e despem-se para, mais tarde, se voltarem a erguer com os seus belos e primaveris vestidos, tão doces e frescos, como uma leve brisa de Primavera. O solo terreno é o mais afortunado, pois ganha ouro quase puro, recortado e cortado, entrecortado e fatiado, em formas e espessuras diferentes e únicas. Porém, a ganância do vento é mais forte e, por sua vez, em jeito de trapaça, arranca o bem mais precioso ao solo terreno: o seu quase ouro, dourado, castanho, encarnado, levando menos tempo que o próprio tempo a perder a sua sorte.

 

Francisco Sampaio, 8.º B

 

Passeio de Outono


Ontem, fui passear a um jardim público cujo tapete de folhas resguardava o chão e a sombra da copa volumosa das árvores entardecia no meu passeio.

A folhagem das altas árvores tocava a linha desenhada do céu e o vento suspirava reboliços nas folhas leves. O murmúrio de um silêncio misturado no som de conversas alheias deixava no ar como que algo pacífico e infindo. O céu revelava-se límpido, bonito, azul e puro e desconfio que a sua tonalidade imitava o mar vasto. Os troncos das velhas árvores enraizadas eram, ao toque, ásperos, grossos e duros. As folhas adormecidas no chão gemiam a cada passo que eram pisadas. Os bancos de jardim que apareciam de vez em quando davam espaço a um repouso ocasional, talvez para lembrar sabores passados. Ao longe, a natureza estendia-se num Outono colorido e profundo.

A música enigmática da Natureza ressoava no meu coração, na ânsia eterna de ser entendida.

 

Beatriz Vaz, 8.º D


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