"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas." (Bernardo Soares)
publicado por Departamento de Língua Portuguesa | Sexta-feira, 13 Maio , 2011, 14:59

Já dizia Alberto Caeiro, naqueles tempos áureos idos, que Cesário Verde era um preso em liberdade a deambular pela cidade, e não querendo eu tirar-lhe o mérito de tão genuína descrição, certo é que é possível generalizá-la e torná-la numa das realidades mais banais.

Palavras como ostentação, riqueza, conforto (seja lá o que for que isto signifique) andam de mãos dadas, completamente enamoradas, com cidade. Até ver...

Reinam os jardins no meio dos caixotes recortados, as fontes de água reclamam a pureza que não têm. Assumem, furiosamente, com toda a revolta com que rasgam as pedras, o papel de espelho de uma sociedade vendida, cruel e sem qualquer tipo de bravura. Bravos são os que partilham as dificuldades, que sofrem não só com as suas ocasionalidades, mas com as do mais cruel mortal que se encontra na casa ao lado, que vagueia, perdido, completamente inócuo, sem eira nem beira, no boqueirão que finda bem lá no fundo, naquele horizonte que vislumbramos pretensiosamente desfocado e desconhecido.

No campo, contam as lendas, as fábulas e todos os textinhos que forçosamente já me deram a ler, não se assiste a tal realidade. O chilrear dos pássaros marco o compasso rítmico das conversas interessadas e a vivacidade das cores das hortas contrasta com o brilho permanente, quase constante, dos olhos das pessoas. O bem-estar é regra geral assumida por todos.

Não consigo assim compreender, como é que ainda muitos trocam as terras férteis, sinónimo de vida, por uma tocazinha neste meio urbano. Desprevenidos e inocentes, vêm espreitar novo dia que já nasceu, despojados de que qualquer protecção, são predados, tornam-se prisioneiros cativos de uma futilidade e precariedade de espírito, com quem nunca, por sorte do acaso, tinham confraternizado.

 

Patrícia 11º B


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