"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas." (Bernardo Soares)
publicado por Departamento de Língua Portuguesa | Sexta-feira, 13 Maio , 2011, 15:08

A manhã despontava, quando a simples rotina me despertou. Lembrou-me que o hábito não nos obriga a andar de olhos fechados apenas por já conhecermos de cor cada passo dado.

Nada é visto sob a mesma perspectiva duas vezes consecutivas. Podemos fechar a porta de casa todos os dias, como algo repetitivo, mas a força com que o fazemos, a delicadeza e a atenção que prestamos a essa acção tornam-na única a cada dia. Imprimimos-lhe algo de nós, sentimentos que nos assolam no momento.

Foi também nesta manhã que percebi que fazemos parte do quotidiano uns dos outros, independentemente da intimidade que nos une. Após ter percorrido as mesmas singulares ruas tradicionais, pela brisa da manhã, dei por mim à espera de encontrar quem sempre lá está, mas que insiste em passar despercebido. Tem a arte de arrumar carros com toda a dedicação de profissional, independentemente das condições meteorológicas ou dos frenesins sociais.

Nesse momento, espontaneamente, recebi um sorriso genuíno, como cortesia matutina, sinal de agradecimento apenas por lá estar. A alegria emergente deste gesto acompanhou-me ao longo de todo o dia. Acredito que este sentimento de gratidão era mútuo, pois também ele, assim como muitas outras pessoas, fazem parte da minha rotina sem que me aperceba. E o facto de aparecerem permite-me saber que estou a caminhar na direcção certa. Esse sorriso confirmou-o. E, consciente de que em todos os dias a rotina se redescobre, segui o meu caminho. Este dia passou. Mas aquele sorriso permaneceu inalterado na minha memória, consciente de que nunca nenhum outro se lhe assemelhará.

 

Eunice 11ºD 


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