"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas." (Bernardo Soares)
publicado por Departamento de Língua Portuguesa | Sexta-feira, 13 Maio , 2011, 18:42

 

Era uma manhã normal. O dia fora abençoado com o calor e a luz do sol, e não como de manhã cedo em que o frio abundava. No Rosário os corredores estavam quase vazios, com excepção de alguns professores ou vigilantes.

Na sala 61, a turma do 8.ºE gozava e rejubilava da sabedoria da Professora Maria José Pedro que incutia aos alunos toda a sua cultura (relacionada com o tema pedagógico leccionado na altura, claro). Fora alguns a baloiçar ou distraídos, grande parte da turma estava concentrada na ficha de trabalho, mas a professora anunciou:

-Podem guardar as fichas de trabalho e começar a sessão de leitura. O exercício 2 fica para trabalho de casa.

Mas entre o ruído de cadeiras a mexer, o barulho dos alunos a rebuscar nas suas pastas e o “rezar” dos alunos (eufemismo utilizado para denominar a “conversa”, em certa forma de sátira) Henrique lamentou:

-Peço desculpa mas não trouxe o livro, deixei-o em casa.

Henrique foi então encarregue de escrever uma redacção, mas sobre o quê? Após muito sondar o seu cérebro, a resposta veio do local mais inesperado: a sua barriga.

Uma dor repentina provocou um espasmo a Henrique que logo pôs as mãos no estômago. Para complementar o caos, um vómito iminente obrigou Henrique a ausentar-se, com o consentimento da professora obviamente.

No corredor deparou-se com a Sónia, uma simpática auxiliar de educação que deduziu que ele se sentia mal, mas impotente para o ajudar, demonstrou os seus lamentos e desejou as melhoras.

Já na casa de banho Henrique encostou-se à parede e esperou….esperou até que a dor aliviou. Finalmente! A revolução contra a hierarquia implementada em que os órgãos sofrem às mãos das decisões de Henrique finalmente terminara! Os golpes deferidos pelos bravos anticorpos tinham eliminado os opositores do regime. Ave, fagocitose! Ave!

Quando se encontrou mais recomposto, Henrique voltou à sala e a professora sugeriu--lhe, em tom de ironia, que ele escrevesse obre o enjoo. Mas houve algo naquelas palavras que o persuadiram a concretizá-las, e foi o que EU fiz.

Pois é caro leitor, eu sou o Henrique e esta é a história do meu enjoo.

 

Henrique Cardoso, 8.º E


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